segunda-feira, 19 de junho de 2017

O primeiro lugar e o homem indispensável


Na área dos conflitos psicológicos a competição surge, quase sempre, como estímulo, a fim de fortalecer a combali­da personalidade do indivíduo que, carente de criatividade, apega-se às experiências exitosas que outros realizaram, para impor-se e, assim, enfrentar as próprias dificuldades, esca­moteando-as com o esforço que se aplica na conquista do que considera meta de triunfo.

Ambicionando a realização pessoal e temendo o insuces­so que, afinal, é um desafio à resistência moral e à sua perse­verança no ideal, prefere disputar as funções e cargos à fren­te, sem qualquer escrúpulo, em luta titânica, na qual se des­gasta, esperando compensações externas, monetárias e de promoção social, assim massageando o ego, ambicioso e frá­gil.

O homem que age desta forma, está sempre um passo atrás da sua vítima provável, que de nada suspeita e ajuda-o, esti­mula-o até padecer-lhe a injunção ousada quão lamentável.

Por sua vez, o triunfador não se apercebe que. no degrau deixado vago, já alguém assoma utilizando-se dos mesmos artifícios ou mascarando-os com os olhos postos no seu tro­no passageiro.

A competição saudável, em forma de concorrência, fo­menta o progresso, multiplica as opções, abre espaços para todos que, criativos, propõem variações do mesmo produto, novidades, idéias originais, renovação de mercado.

De outra forma, as personalidades conflituosas, arquite­tando planos de segurança, apegam-se ao trabalho que reali­zam, às empresas onde laboram, crendo-se indispensáveis, responsáveis pelo primeiro lugar que conseguiram com sa­crifício, e transferem-se, psicologicamente, para a sua Entidade. Somente se sentem felizes e compensadas quando discutem o seu trabalho, a sua execução, a sua importância. O lar, a família, o repouso, as férias se descobrem, porque não preenchem as falsas necessidades do ego exacerbado. Respi­ram o clima de preocupação do trabalho em toda parte e vi­vem em função dele.

Sentem o triunfo após os anos de lutas exaustivas, e in­formam que, a sua saída seria uma tragédia, um caos para a organização, já que são pessoas-chaves, molas-mestras, sem as quais nada funciona, ou se tal se dá é precariamente.

Não percebem que o tempo escoa na ampulheta das ho­ras, os métodos de ação se renovam, o cansaço os vence, a vitalidade diminui e, no degrau, imediatamente inferior, já está o competidor, jovem ambicioso aguardando, disputan­do, aprendendo a sua técnica e mais bem equipado do que ele, em condições de substituí-bo com vantagens. A sua ce­gueira não lhes permite enxergar.

Quando o observam, depri­mem-se, revoltam-se contra os limites orgânicos inexoráveis, utilizando-se de artifícios para prosseguirem.

Dão-se conta que passaram a ser constrangimento no tra­balho, que pensavam pertencer-lhes, lamentando-se, queixan­do “que deram a vida e agora colhem ingratidão”. Certamen­te, os homens indispensáveis doaram a vida como fuga de si mesmos e ofereceram-na a um ser sem alma, sem coração, que apenas objetiva lucros, portanto, insensível, impessoal… Ali, os filhos substituem os pais, expulsam-nos, jovialmente, sob a alegação de que estes merecem o justo repouso, as viagens de férias que nunca tiveram; aposentam-nos. Livram a Empresa deles, de sua dominação, não mais condizente com os tempos modernos. Eles foram bons e úteis no começo, não mais agora, quando começam a emperrar a máquina do pro­gresso, a impedirem, por inadaptação óbvia, o curso do cres­cimento e desenvolvimento da entidade…

Assim, chega o momento da realidade para o homem que ocupa o primeiro lugar, o indispensável. É convidado a soli­citar a aposentadoria, quando não é jubilado sem maior consideração.

Surpreso, diz-se em condições de prosseguir. Afirma que ainda é jovem; quer trabalhar; dispõe de saúde… O silêncio constrangedor adverte-o que não há mais outra alternativa. Ele foi usado como peça de engrenagem empresarial que, desgastada, deve ser substituída de imediato a benefício ge­ral. Oportunamente, a benefício da organização, ele tomara a mesma atitude em relação a outros funcionários, que foram afastados.

A amargura domina-o, o ressentimento enfurece-o e a frus­tração, longamente adiada, assoma e o conduz à depressão.

As interrogações sucedem-se. “E agora? Que fazer da vida, do tempo?”

Como não cultivou outros valores, outros interesses, ar­roja-se ao fosso da autodestruição, egoisticamente, esqueci­do dos familiares e amigos, afinal, aos quais nunca deu maior importância nem valorização. Afasta-se mais do convívio social e, não raro, suicida-se, direta ou indiretamente.

A em­presa não lhe sente a falta, prossegue em funcionamento.

Somente quem realizou uma boa estrutura de personali­dade, enfrenta com razoável tranqüilidade o choque de tal natureza, para o qual se preparou, antevendo o futuro e pro­gramando-se para enfrentá-lo, transferindo-se de uma ação para outra, de uma empresa para um ideal, de uma máquina para um grupamento humano respirável, emotivo, pensante.

Ninguém é indispensável em lugar nenhum. O primeiro de agora será dispensável amanhã, assim como o último de hoje, possívelmente, estará no comando no futuro. A morte, a cada momento, demonstra-o.

A polivalência das aspirações é reflexo de normalidade, de equilíbrio comportamental, de harmonia da personalidade, convidando o homem a buscar sempre e mais.

A desincumbência do dever reflete-lhe o valor moral e a nobreza da sua consciência. Segurar as rédeas da dominação em suas mãos fortes, denota insegurança íntima, crise de con­duta.

O homem tem o dever de abraçar ideais de enobrecimen­to pessoal e grupal, participar, envolver-se emocionalmente, fazer-se presente na comunidade, como complemento da sua conduta existencial.

A criatura terrena está em viagem pela Terra, e todo trân­sito, por mais demorado, sempre termina. Ninguém se enga­ne e não engane a outros.

Uma auto-análise cuidadosa, uma reflexão periódica a respeito dos valores reais e aparentes, a meditação sobre os objetivos da vida concedem pautas e medidas para a harmo­nia, para o êxito real do ser.

A finalidade da existência corporal é a conquista dos va­lores eternos, e o êxito consiste em lograr o equilíbrio entre o que se pensa ter e o que se é realmente, adquirindo a estabi­lidade emocional para permanecer o mesmo, na alegria como na tristeza, na saúde conforme na enfermidade, no triunfo qual sucede no fracasso.

Quem consiga a ponderação para discernir o caminho, e o percorra com tranqüilidade, terá começado a busca do êxito que, logo mais, culminará com alegria.

domingo, 28 de maio de 2017

15 Conflitos degenerativos da sociedade


A crise de credibilidade, de confiança, de amor instaura o estado conflitivo da personalidade que perde o roteiro, inca­paz de definir o que é correto ou não, qual a forma de com­portamento mais compatível com a época e, ao mesmo tem­po, favorável ao seu bem-estar, anquilosando pessoas refra­tárias ao progresso nas idéias superadas ou produzindo gru­pos rebeldes fadados à destruição, que se entregam à desor­dem, à contra-cultura, buscando sempre chocar, agredir.

Os grupos opostos se afastam, se armam e se agridem.

O homem ainda não aprendeu a ser solidário quando não concorda, preferindo ser solitário, ser opositor.

Certamente, a renovação é lei da vida.

A poda faculta o ressurgimento do vegetal.

O fogo purifica os metais, permitindo-lhes a moldagem.

A argila submete-se ao oleiro.

A vida social é resultado das alterações sofridas pelo ho­mem, seu elemento essencial.

É necessário, portanto, que se dê a transformação, a evo­lução dos conceitos, o engrandecimento dos valores. Para tal fim, às vezes, é preciso que ocorra a demolição das estratificações, do arcaico, do ultrapassado. Lamentavelmente, po­rém, nesta ação demolidora, a revolta contra o passado, pre­tendendo apagar os vestígios do antigo, vai-lhe até as raízes, buscando extirpá-las.

O homem e a sociedade, sem raízes não sobrevivem.

No começo, o paganismo greco-romano era uma bela doutrina, rica de símbolos e significados, caracterizando o processo psicológico da evolução histórica do homem. O abuso, mais tarde, fê-lo degenerar e a Doutrina cristã se apre­sentou na forma de um corretivo eficaz, oportuno. A dosa­gem exagerada, porém, terminou por causar danos inespera­dos, no largo período da noite medieval, da qual algumas re­ligiões contemporâneas ainda padecem os efeitos negativos.

O mesmo vem acontecendo com a sociedade que, para livrar-se das teias da hipocrisia, da hediondez, dos precon­ceitos, da vilania, da prepotência, elaborou os códigos da li­berdade, da igualdade, da fraternidade, em lutas sangrentas, ainda não considerados além das formulações teóricas e refe­rências bombásticas, sem repercussão real no organismo das comunidades humanas em sofrimento.

As recentes reações culturais contra a autenticidade da conduta têm produzido mais males que resultados positivos.

Em nome da evolução, sucedem-se as revoluções destru­tivas que não oferecem nada capaz de preencher os espaços vazios que causam.

A insatisfação do indivíduo fustiga e perturba o grupo no qual ele se localiza, sendo expulso pela reação geral ou tor­nando-se um câncer em processo metastático. Facilmente o pessimista e o colérico contaminam os desalentos, passando-lhes o morbo do desânimo ou o fogo da irritação, a prejuízo geral.

Armam-se querelas desnecessárias, altera-se a filosofia dos partidos existentes, que se transferem para a agressivida­de, as acusações descabidas, sem trabalho à vista para a reti­ficação dos erros, a reabilitação moral dos caídos, para o bem-estar coletivo.

Cada pequeno grupo dentro do grupo maior, sem consen­so, busca atrapalhar a ação do adversário, mesmo quando benéfica, porque deseja demonstrar-lhe a falência, movido pelos interesses personalistas, em detrimento do processo de estabilidade e crescimento de todos.

O personalismo se agiganta, as paixões servis se revelam, o idealismo cede lugar à vileza moral.

A predominância do egoísmo em a natureza humana faz-se responsável pelo caos em volta, no qual os conflitos dege­nerativos da sociedade campeiam.

Surgem as plataformas frágeis em favor do grupo desde que sob o comando e a alternativa única do ególatra, que ali­cia outros semelhantes, que se lhe acercam, igualmente ansi­osos por sucessos que não merecem, mas que pleiteiam. In­seguros, incapazes de competir a céu aberto, honestamen­te, aguardam na furna da própria pequenez, por motivos ver­dadeiros ou não, para incendiarem o campo de ação alheia, longe dos objetivos nobres, porém reflexos dos seus estados íntimos conflituosos.

Não se tornam adversários leais, porque a inveja, antes, os fizera inimigos ocultos que aguardavam ensejo para des­velarem-se.

Face às distonias pessoais de que são portadores, decan­tam a necessidade do progresso da sociedade e bloqueiam-no com a astúcia, a desarticulação de programas eficientes, an­tes de testados, atacando-os vilmente e aos seus portadores, a quem ferem pessoalmente, pela total impossibilidade de per­manecerem no campo ideológico, já que não possuem idea­lismo.

Estimulam a dissensão, porque os seus conflitos não os auxiliam a cooperar, entretanto, os motivam a competir. Não podem trabalhar a favor, porque os seus estímulos somente funcionam quando se opõem.

Em razão da insegurança pessoal desconfiam dos senti­mentos alheios e provocam distúrbios que se originam em suspeitas injustificáveis, a soldo do prazer mórbido que os assinala.

O conflito íntimo é matriz cancerígena no organismo hu­mano em constante ameaça ao grupo social.

Cabe ao homem em conflito revestir-se de coragem, re­solvendo-se pelo trabalho de identificação das possibilida­des que dispõe, ora soterradas nos porões da personalidade assustada.

Sentindo-se incapaz de enfrentar-se, a busca de alguém capacitado a apontar-lhe o rumo e ajudá-lo a percor­rê-lo é tão urgente quão indispensável. Inúmeras terapias es­tão ao seu alcance, entre os técnicos da área especializada, assim como as da Psicologia Transpessoal apresentando-lhe a intercorrência de fatores paranormais e da Psicologia Espí­rita, aclarando-o com as luzes defluentes dos fenômenos ob­sessivos geradores dos problemas degenerativos no indiví­duo e na sociedade.

O conglomerado social, por sua vez, tem o dever de auxi­liar o homem em conflito, de ajudá-lo a administrar as suas fobias, ansiedades, traumas, e mesmo o de socorrê-lo nas expressões avançadas quando padecendo psicopatologias di­versas, em ética de sobrevivência do grupo, pois que, do con­trário, através do alijamento de cada membro, quando vier a ocorrência se desarticulará o mecanismo de sustentação da grei.

A sociedade deve responder pelos elementos que a cons­tituem, pelos conflitos que produz, assim como assume as glórias e conquistas dos felizardos que a compõem.

Os conflitos degenerativos da sociedade tendem a desa­parecer, especialmente quando o homem, em se encontrando consigo mesmo, harmonize o seu cosmo individual (micro), colaborando para o equilíbrio do universo social (macro), no qual se movimenta.


------------------Joanna de Ângelis--------------
"O homem integral"

domingo, 31 de julho de 2016

Insegurança e crises


Esboroam-se, sob os camartelos das revoluções hodier­nas, os edifícios da tradição ultramontana, cedendo lugar às apressadas construções do desequilíbrio, sem memória an­cestral, sem alicerce cultural.

Ruem, diante dos abalos da ciência tecnológica, o empi­rismo passadista e as obras da arbitrária dominação totalitá­ria, substituídos pelo alucinar das novas maquinações de aven­tureiros desalmados, perseguindo suas ambições imediatis­tas a prejuízo da sociedade, do indivíduo.

A política desgovernada exibe os seus corifeus, que se fazem triunfadores de um dia, logo passando ao anonimato, repletos de gozos e valores perecíveis, a intoxicar-se nos va­pores dos vícios e das perversões em que falecem os últimos ideais que ainda possuíam.

Os direitos humanos decantados em toda parte sofrem o vilipêndio daqueles que os deveriam defender, em razão do desrespeito que apresentam diante das leis por eles mesmos elaboradas, em desprezo flagrante às Instituições que se com­prometeram socorrer, por descrédito de si próprios.

A anarquia substitui a ordem e as transformações sociais apressadas não têm tempo de ser assimiladas, porque substi­tuídas pelos modismos que se multiplicam em velocidade ci­clópica.

Velhos dogmas, nascidos e cultivados no caldo da igno­rância, são esquecidos e nascem as idéias liberais revolucio­nárias, que instigam o homem fraco contra o seu irmão mais forte gerando ódios, quando deveriam amansar o lobo amea­çador, a fim de que, pacificado, pudesse beber na mesma fonte com o cordeiro sedento, que lhe receberia proteção dignifi­cadora.

As circunstâncias externas do inter-relacionamento das criaturas, fenômeno conseqüente ao desequilíbrio do indiví­duo, engendram no contexto hodierno a insegurança, que fo­menta as crises.

Sucedem-se, desse modo, as crises de autoridade, de res­peito, de honradez, de valores ético-morais, e a desumaniza­ção da criatura assoma nos painéis do comportamento, in­sensibilizando-a pelo amolentamento emocional ou exacer­bação, na volúpia do prazer e da violência conduzidos pelas ambições desmedidas.

As crises respondem pela desconfiança das pessoas, umas em relação às outras, pelo rearmamento belicoso de uns indi­víduos contra os outros, pela agressividade automática e atre­vida.

A queda do respeito que todos se devem, respeito este sem castração nem temor, estimula a indisciplina que come­ça na educação das gerações novas, relegadas a plano secun­dário, em que se cuidam de oferecer coisas, em mecanismos sórdidos de chantagem emocional, evitando-se dar amor, pre­sença, companheirismo e orientação saudável.

A crise de autoridade responde pela corrupção em todas as áreas, sob a cobertura daqueles que deveriam zelar pelos bens públicos e administrá-los em favor da comunidade, pois que, para tal se candidataram aos postos de comando, sendo remunerados pelos contribuintes para este fim.

Como efeito, os maus exemplos favorecem a desonestidade, discreta e pú­blica, dos membros esfacelados do organismo social enfer­mo, preparando os bolsões de miséria econômica, moral, com todos os ingredientes para a rebelião criminosa, o assalto a mão armada, o apropriamento indébito dos bens alheios, a insegurança geral. O que se nega em compromisso de direito, é tomado em mancomunação da força com o ódio.

Mesmo os valores espirituais do homem se apresentam em crise de pastores, e amigos, capazes de exercerem o mi­nistério da fé religiosa com serenidade, sem separativismo, com amor, sem discórdia na grei, com fraternidade, sem dis­putas da primazia, sem estrelismo.

Nas várias escolas de fé espocam a rebelião, as disputas lamentáveis, a maledicência ácida ou o distanciamento for­mando quistos perigosos no corpo comunitário.

O homem apresenta-se doente, e a sociedade, que lhe é o corpo grupal, encontra-se desestruturada em padecimento total.

As crises gerais, que procedem da insegurança individu­al, são, por sua vez, responsáveis por mais altas e expressivas somas de desconforto, insatisfação, instabilidade emocional do homem, formando um círculo vicioso que se repete, sem aparente possibilidade de arrebentar as cadeias fortes que o constituem.

Vitimado por sucessivos choques desde o momento do parto, quando o ser é expulso do claustro materno, onde se encontrava em segurança, este enfrenta, desequipado, inu­meráveis desafios que não logra superar. Chegando a idade adulta, ei-lo receoso, desestruturado para enfrentar a maqui­naria insensível dos dias contemporâneos, em que a eletrôni­ca e a robótica são conduzidas, porém, avançam, tomando o controle da situação e, lentamente, reduzindo-o a observador das respostas e imposições digitadas, apertando ou desligan­do controles e submetendo-se aos resultados preestabeleci­dos, sem emoção, sem participação pessoal nos dados reco­lhidos.

Noutras circunstâncias, ou em estado fetal, experimenta os choques geradores de insegurança, no comportamento da gestante revoltada diante da maternidade não desejada e até mesmo odiada.

O jogo de reações nervosas, as vibrações de­letérias da revolta contra o ser em formação, atingem-lhe os delicados mecanismos psíquicos, desarmonizando os núcle­os geradores do futuro equilíbrio, sob as chuvas de raios des­truidores, que os afetam irreversívelmente.

O que o amor poderia realizar posteriormente e a educa­ção lograr em forma de psicoterapia, ficam, à margem, sob os cuidados de pessoas remuneradas, sem envolvimento emo­cional ou interesse pessoal, produzindo marcas profundas de abandono e solidão, que ressurgirão como traumas danosos no desenvolvimento da personalidade.

A par dos fatores sóciomesológicos, outras razões são pre­ponderantes na área do comportamento inseguro, que são aquelas que procedem das reencarnações anteriores, malo­gradas ou assinaladas pelos golpes violentos que foram apli­cados pelo Espírito em desconcerto moral, ou que os pade­ceu nas rudes pugnas existenciais.

Assinalando com rigor a manifestação da afetividade tran­qüila ou desconfiada, aquelas impressões são arquivadas no inconsciente profundo, graças aos mecanismos sutis do pe­rispírito. O homem é um ser inacabado, que a atual existên­cia deverá colaborar para o aperfeiçoamento a que se encon­tra destinado. Faltando-lhe os recursos favoráveis ao ajusta­mento, torna-se uma peça mal colocada ou inadaptada na complexidade da vida social, somando à sua a insegurança dos outros membros, assim favorecendo as crises individuais e coletivas.

Por desinformação ou fruto de um contexto imediatista ­consumista, elaborou-se a tese de que a segurança pessoal é o resultado do ter, que se manifesta pelo poder e recebe a res­posta na forma de parecer. Todos os mecanismos responsá­veis pelo homem e sua sobrevivencia se estribam nessas pro­postas falsas, formando uma sociedade de forma, sem pro­fundidade, de apresentação, sem estrutura psicológica nem equilíbrio moral.

Trabalhando somente no exterior, relega-se, a plano se­cundário ou a nenhum, o sentido ético do ser humano, da sua realidade intrínseca, das suas possibilidades futuras, jacentes nele mesmo.

O homem deve ser educado para conviver consigo pró­prio, com a sua solidão, com os seus momentâneos limites e ansiedades, administrando-os em proveito pessoal, de modo a poder compartir emoções e reparti-las, distribuir conquis­tas, ceder espaços, quando convidado à participação em ou­tras vidas, ou pessoas outras vierem envolver-se na sua área emocional.

Desacostumado à convivência psíquica consciente com os seus problemas, mascara-se com as fantasias da aparência e da posse, fracassando nos momentos em que se deve en­frentar, refletido em outrem que o observa com os mesmos conflitos e inseguranças. As uniões fraternais então se desar­ticulam, as afetivas se convertem em guerras surdas, o matri­mônio naufraga, o relacionamento social sucumbe disfarça­do nos encontros da balbúrdia, da extravagância, dos exage­ros alcoólicos, tóxicos, orgíacos, em mecanismos de fuga da realidade de cada um.

A educação, a psicoterapia, a metodologia da convivên­cia humana devem estruturar-se em uma consciência de ser, antes de ter; de ser, ao invés de poder, de ser, embora sem a preocupação de parecer

Os valores externos são incapazes de resolver as crises internas, aliás, não poucas vezes, desencadeando-as.

O que o homem é, suas realizações íntimas, sua capacida­de de compreender-se, às pessoas e ao mundo, sua riqueza emocional e idealística, estruturam-no para os embates, que fazem parte do seu modus vivendi e operandi, neste processo incessante de crescimento e cristificação.

A coragem para os enfrentamentos, sem violência ou re­cuos, capacita-o para os logros transformadores do ambiente social, que deslocará para o passado a ocorrência das crises de comportamento, iniciando-se a era de construção ideal e de reconstrução ética, jamais vivida antes na sua legitimida­de.

Os conceitos do poder e da força estão presentes na siste­mática governança dos povos.

Sempre os militares governa­ram mais do que os filosóficos, e o poder sempre esteve por mais tempo nas mãos dos violentos do que na sabedoria dos pacíficos, gerando as guerras exteriores, porque os seus apa­niguados viviam em constantes guerras íntimas, inseguros, aguardando a traição dos fracos que, bajuladores, os rodea­vam, e a audácia dos mais fortes, que lhes ambicionavam o poderio, terminando, quase todos, vítimas das suas nefastas urdiduras.

A segurança íntima conseguida mediante o autodescobri­mento, a humanização e a finalidade nobre que se deve im­primir à vida são fatores decisivos para a eliminação das cri­ses, porqüanto, afinal, a descrença que campeia e o descon­certo que se generaliza são defluentes do homem moderno que se encontra em crise momentânea, vitimado pela insegu­rança que o aturde.

domingo, 24 de julho de 2016

Religião e religiosidade

No caleidoscópio do comportamento humano há, quase sempre, uma grande preocupação por mais parecer do que ser, dando origem aos homens-espelhos, aqueles que, não ten­do identidade própria, refletem os modismos, as imposições, as opiniões alheias. Eles se tornam o que agrada às pessoas com quem convivem, o ambiente que no seu comportamento neurótico se instala. Adota-se uma fórmula religiosa sem que se viva de forma equânime dentro dos cânones da religião. É a experiência da religião sem religiosidade, da aparência so­cial sem o correspondente emocional que trabalha em favor da auto-realização, O conceito de Deus se perde na complexidade das fórmulas vazias do culto externo, e a manifesta­ção da fé íntima desaparece diante das expressões ruidosas, destituídas dos componentes espirituais da meditação, da re­flexão, da entrega. Disso resulta uma vida esvaziada de espe­rança, sem convicção de profundidade, sem madureza espiri­tual.

A religião se destina ao conforto moral e à preservação dos valores espirituais do homem, demitizando a morte e abrindo-lhe as portas aparentemente indevassáveis à percep­ção humana.

Desvelar os segredos da vida de ultratumba, demonstrar-lhe o prosseguimento das aspirações e valores humanos, ora noutra dimensão dentro da mesma realidade da vida, é a finalidade precípua da religião. Ao invés da proibi­ção castradora e do dogmatismo irracional, agressivo à liber­dade de pensamento e de opção, a religião deve favorecer a investigação em torno dos fundamentos existenciais, das ori­gens do ser e do destino humano, ao lado dos equipamentos da ciência, igualmente interessada em aprofundar as sondas das pesquisas sobre o mundo, o homem e a vida.

A fim de que esse objetivo seja alcançado, faz-se indis­pensável a coragem de romper com a tradição — rebelar-se contra a mãe religião — libertando-se das fórmulas, para en­contrar a forma da mais perfeita identificação com a própria consciência geradora de paz. Tornar-se autêntico é uma deci­são definidora que precede a resolução de crescer para dar-se. O desafio consiste na coragem da análise de conteúdo da religião, assim como da lógica, da racionalidade das suas te­ses e propostas. Somente, desta forma, haverá um relaciona­mento criativo entre o crente e a fé, a religiosidade emocio­nal e a religião. Essa busca preserva a liberdade íntima do homem perante a vida, facultando-lhe um incessante cresci­mento, que lhe dará a capacidade para distinguir o em que acredita e por que em tal crê, sustentando as próprias forças na imensa satisfação dos seus descobrimentos e nas possibi­lidades que lhe surgem de ampliar essas conquistas.

Já não se torna, então, importante a religião, formal e cir­cunspecta, fechada e sombria, mas a religiosidade interior que aproxima o indivíduo de Deus em toda a Sua plenitude: no homem, no animal, no vegetal, em a natureza, nas formas viventes ou não, através de um inter-relacionamento integra­dor que o plenifica e o liberta da ansiedade, da solidão, do medo. As suas aspirações não se fazem atormentadoras; não mais surge a solidão como abandono e desamor, e dilui-se o medo ante uma religiosidade que impregna a vida com espe­rança, alegria e fé. O germe divino cresce no interior do ho­mem e expande-se, permitindo que se compreenda o concei­to paulino, que ele já não vivia, “mas o Cristo” nele vivia.

A personalidade conflitante no jogo dos interesses da so­ciedade cede lugar à individualidade eterna e tranqüila, não mais em disputa primária de ambições e sim em realizações nas quais se movimenta. Os outros camuflam a sua realidade e vivem conforme os padrões, às vezes detestados, que lhes são apresentados ou impostos pela sua sociedade. O grupo social, porém, rejeita-os, por sabê-los inautênticos, no entan­to os aplaude, porque eles não incomodam os seus membros, fazendo-os mesmistas, iguais, despersonalizados, desestru­turados. Por falta de uma consciência objetiva — conhecimento dos seus valores pessoais, controle das várias funções do seu organismo físico e emocional, definição positiva de atitudes perante a vida —, não têm a coragem ética de ser autênticos, padecendo conflitos a respeito do senso de responsabilidade e de liberdade, característico do amadurecimento, que se po­derá denominar como uma virtude de longo curso. Não se trata da coragem de arrostar conseqüências pela própria te­meridade, mas do valor para enfrentar-se a si mesmo, geran­do um relacionamento saudável com as demais pessoas, repetindo com entusiasmo a experiência maisucedida, sem ata­duras de remorso ou lamentação pelo fracasso. E saber reti­rar do insucesso os resultados positivos, que se podem trans­formar em alavancas para futuros empreendimentos, nos quais a decisão de insistir e realizar assumem altos níveis éticos, que se tornam desafios no curso do processo evolutivo.

Para que o ânimo robusto possa conduzir às lutas exterio­res, faz-se necessária a autoconquista, que torna o indivíduo justo, equilibrado, sem a característica ansiedade neurótica, reveladora do medo do futuro, da solidão, das dificuldades que surgem.

É preciso que o homem se arrisque, se aventure, mesmo que esta decisão o faça ansioso quanto ao seu desempenho, aos resultados. Ninguém pode superar a ansiedade natural, que faz parte da realidade humana, desde que não extrapole os limites, passando a conflito neurótico.

Por atavismo ancestral o homem nasce vinculado a uma crença religiosa, cujas raízes se fixam no comportamento dos primitivos habitantes da Terra. Do medo decorrente das for­ças desorganizadas das eras primeiras da vida, surgiram as diferentes formas de apaziguar a fúria dos seus responsáveis, mediante os cultos que se transformariam em religiões com as suas variadas cerimônias, cada vez mais complexas e so­fisticadas. Das manifestações primárias com sacrifícios hu­manos, até as expressões metafísicas, toda uma herança psi­cológica e sociológica se transferiu através das gerações, pro­duzindo um natural sentimento religioso que permanece em a natureza humana.

Ao lado disso, considerando-se a origem espiritual do in­divíduo e a Força Criadora do Universo, nele permanece o germe de religiosidade aguardando campo fecundo para de­sabrochar.

Expressa-se, esse conteúdo intelecto-moral, em forma de culto à arte, à ciência, à filosofia, à religião, numa busca de afirmação-integração da sua na Consciência Cósmica. A for­ça primitiva e criadora, nele existente como uma fagulha, possui o potencial de uma estrela que se expandirá com as possibilidades que lhe sejam facultadas. Bem direcionada, sua luz vencerá toda a sombra e se transformará na energia vitalizadora para o crescimento dos seus valores intrínsecos, no desdobramento da sua fatalidade, que são a vitória sobre si mesmo, a relativa perfeição que ainda não tem capacidade de apreender.

Na execução do programa religioso, a maioria das pesso­as age por convencionalismo e conveniência, sem a coragem de assumir as suas convicções, receosas da rejeição do gru­po.

Adotam fórmulas do agrado geral, que foram úteis em determinados períodos do processo histórico e evolutivo da sociedade e, não obstante descubram novas expressões de fé e consolação, receiam ser consideradas alienadas, caso assu­mam as propostas novas que lhes parecem corretas, mas não usuais, e sim de profundidade.

Afirmou um monge medieval que todo aquele que vive morrendo, quando morre não morre”, porque o desapego, o despojar das paixões em cada morrer diário, liberta-o, desde já, até que, quando lhe advém a morte, ele se encontra perfei­tamente livre, portanto, não morto, equivalente a vivo.

A religiosidade é uma conquista que ultrapassa a adoção de uma religião; uma realização interior lúcida, que indepen­de do formalismo, mas que apenas se consegue através da coragem de o homem emergir da rotina e encontrar a própria identidade.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Consciência ética


O homem é o único “animal ético” que existe. Não obs­tante, um exame da sociedade, nas suas variadas épocas, de­vido à agressividade bélica, à indiferença pela vida, à barbá­rie de que dá mostras em inúmeras ocasiões, nos demonstre o contrário. Somente ele pode apresentar uma “consciência cri­ativa”, pensar em termos de abstrações como a beleza, a bon­dade, a esperança, e cultivar ideais de enobrecimento. Essa consciência ética nele existe em potencial, aguardando que seja desenvolvida mediante e após o autodescobrimento, a aquisição de valores que lhe proporcionem o senso de liber­dade para eleger as experiências que lhe cabem vivenciar.

Atavicamente receoso, experimenta conflitos que o ator­mentam, dificultando-lhe discernir entre o certo e o errado, o bem e o mal, o bom e o pernicioso. Ainda dominado pelo egocentrismo da infância, de que não se libertou, pensa que o mundo existe para que ele o desfrute, e as pessoas a fim de que o sirvam, disputando e tomando, à força, o que supõe pertencer-lhe por direito ancestral.

Diversos caminhos, porém, deverá ele percorrer para que a autoconsciência lhe descortine as aquisições éticas indispen­sáveis: a afirmação de si mesmo, a introspecção, o amadure­cimento psicológico e a autovalorização entre outros…

O “negar-se a si mesmo” do Evangelho, que faculta a per­sonalidades patológicas o mergulho no abandono do corpo e da vida, em reação cruel, destituído de objetivo libertador, aqui aparece como mecanismo de fuga da realidade, medo de enfrentar a sociedade e de lutar para conseguir o seu “lugar ao Sol”, como membro atuante e útil da humanidade, que necessita crescer graças à sua ajuda. Este conceito cristão mantém as suas raízes na necessidade de “negar-se” ao ego prepotente e dominador, a vassalagem do próximo, em favor das suas paixões, a fim de seguir o Cristo, aqui significando a verdade que liberta. O desprezo a si mesmo, literalmente con­siderado, constitui reação de ódio e ressentimento pela vida e pela humanidade, mortificando o corpo ante a impossibilida­de de flagiciar a sociedade.

O homem que se afirma pela ação bem direcionada, con­quista resistência para perseverar na busca das metas que es­tabelece, amadurecendo a consciência ética de responsabili­dade e dever, o que o credencia a logros mais audaciosos. Ele rompe as algemas da timidez, saindo do calabouço da preo­cupação, às vezes, patológica, de parecer bem, de ser tido como pessoa realizada ou de viver fugindo do contato social. Ou, pelo contrário, canaliza a agressividade, a impetuosida­de de que se vê possuído para superar os impulsos ansiosos, aprendendo a conviver com o equilíbrio e em grupo, no qual há respeito entre os seus membros, sem dominadores nem dominados.

Consegue o senso de planejamento das suas ações, crian­do um ritmo de trabalho que o não exaure no excesso, nem o amolenta na ociosidade, participando do esforço geral para o seu e o progresso da comunidade. Adquire um conceito lógi­co de tempo e oportunidade para a realização dos seus em­preendimentos, confiando com tranqüilidade no resultado dos esforços dispendidos.

Mediante a autoconsciência, aplica de maneira salutar as experiências passadas, sem saudosismo, sem ressentimentos, planejando as novas com um bem delineado programa que resulta do processamento dos dados já vividos e adicionados às expectativas em pauta a viver.

Por sua vez, o fenômeno da autoconsciência consiste no conhecimento lógico do que fazer e como executá-lo, sem conceder-lhe demasiada importância, que se transforme numa obsessão, pela minudência de detalhes e face ao excesso de cuidados, correndo o risco do lamentável perfeccionismo. Ele resulta de uma forma de dilatação do que se sabe, de uma consciência vigilante e lúcida do que se realiza, expandindo a vida e, como efeito, graças ao dinamismo adquirido, sentir-se liberado de tensões, fora de conflitos. Esta conquista de si mesmo enseja maior soma de realizações, mais amplo cam­po de criatividade, mais espontaneidade.

A introspecção ajuda-o, por ser o processo de conduzir a atenção para dentro, para a análise das possibilidades ínti­mas, para a reflexão do conteúdo emocional e a meditação que lhe desenvolva as forças latentes. Desse modo, não pode afastar o homem para lugares especiais, ou favorecer com­portamentos exóticos, desligando-se do mundo objetivo e caindo em alienação.

Vivendo-se no mundo, torna-se inevi­tável vencer-lhe os impositivos negativos, tempestuosos das pressões esmagadoras. Diante dos seus desafios, enfrentá-los com natural disposição de luta, não alterando o comporta­mento, nem o deixando estiolar-se.

E muito comum a atitude apressada de viver-se emocio­nalmente acontecimentos futuros que certamente não se da­rão, ou que ocorrerão de forma diversa da que a ansiedade estabelece. As impressões do futuro, como conseqüência de tal conduta, antecipam-se, afligindo, sem que o indivíduo viva as realidades do presente, confortadoras.

Para esta conduta ansiosa Jesus recomendava que “a cada dia baste a sua aflição”, favorecendo o ser com o equilíbrio para manter-se diante de cada hora e fruí-la conforme se apresente.

A introspecção cria o clima de segurança emocional para a realização de cada ação de uma vez e a vivência de cada minuto no seu tempo próprio. Ajuda a manter a calma e a valorizar a sucessão das horas. O homem introspectivo, to­davia, não se identifica pela carranca, pela severidade do olhar, pela distância da realidade, tampouco pela falsa superiorida­de em relação às outras pessoas.

Tais posturas são formalis­tas, que denunciam preocupação com o exterior sem contri­buição íntimo-transformadora. Antes, surge com peculiar lu­minosidade na face e no olhar, comedido ou atuando confor­me o momento, porem sem perturbar-se ou perturbar, trans­mitindo serenidade, confiança e vigor. A introspecção torna-se um ato saudável, não um vício ou evasão da realidade.

À medida que o homem se penetra, mais amadurece psi­cologicamente, saindo da proteção fictícia em que se escon­de — dependência da mãe, da infância, do medo, da ansieda­de, do ódio e do ressentimento, da solidão — para assumir a sua identidade, a sua humanidade.

As ações humanistas são o passo que desvela a consciên­cia ética no indivíduo que já não se contenta com a experiên­cia do prazer pessoal, egoísta, dando-se conta das necessida­des que lhe vigem em volta, aguardando a sua contribuição. Nesse sentido, a sua humanidade se dilata, por perceber que a felicidade é um estado de bem-estar que se irradia, alcan­çando outros indivíduos ao invés de recolher-se em detrimento do próximo. Qual uma luz, expande-se em todas as direções, sem perder a plenitude do centro de onde se agiganta. Am­plia-se-lhe, desta forma, o senso da responsabilidade pela vida em todas as suas expressões, tornando-o um ser humano éti­co, que é agente do progresso, das edificações beneficentes e culturais.

A perseguição da inveja não o perturba, tampouco a baju­lação da indignidade o sensibiliza.

Paira nele uma compreen­são dos reais valores, que o propele a avançar sem timidez, sem pressa, sem temor. A sua se transforma em uma existên­cia útil para o meio social, tornando-se parte ativa da comu­nidade que passa a servir, sem autoritarismo nem prejuízo emocional para si mesmo ou para o grupo.

A consciência ética é a conquista da iluminação, da luci­dez intelecto-moral, do dever solidário e humano. Ela pro­porciona uma criatividade construtiva ilimitada, que conduz à santificação, na fé e na religião; ao heroísmo, na luta cotidi­ana e nas batalhas profissionais; ao apogeu, na arte, na ciência, na filosofia, pelo empenho que enseja em favor de uma plena identificação com o ideal esposado.

São Vicente de Paulo, Nietzsche, Allan Kardec, Freud, Schweitzer, Cézanne são exemplos diversos de homens que adquiriram um estado de consciência ética aplicada em favor da humanidade.

O homem integral - Joanna de Ângelis